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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Saúde e Ambiente na Escola: Desafios para o Futuro!

Realizou-se no dia 24/11/08 na Escola Profissional Amar Terra Verde (EPATV), o “I Fórum de Saúde Escolar "Ambiente e Saúde: Desafios para o Futuro!". Esta actividade foi organizada por alguns elementos da Equipa de Saúde Escolar (a saber, Paulo Martins, Técnico de Saúde Ambiental, Maria do Céu Morais, Enfermeira especialista em Saúde Comunitária e Anabela Alves, Enfermeira especialista em Saúde Comunitária) e a EPATV.

A cerimónia de abertura contou com presença do Coordenador da Sub-região de Saúde de Braga, Dr. Castro Freitas, do Presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, Eng. José Manuel Fernandes, e do Director do Centro de Saúde de Vila Verde, Dr. Rogério Pinto da Costa.


Cerca de 200 alunos de todos os Agrupamentos de Escolas de Vila Verde, Escola Secundária e Escola Profissional Amar Terra Verde apresentaram as variadas actividades que desenvolvem nas suas escolas em prole do ambiente e da saúde. A partilha de experiências e conhecimentos entre alunos e professores e a valorização das suas iniciativas constitui de forma óbvia um incentivo para que continuem a empenhar-se na defesa do planeta, em geral e deles mesmos, em particular.

A meio da manhã foi servido um lanche com produtos oferecidos, para esta iniciativa, por algumas empresas, tal como a Nestlé, a Jolima, o Intermaché de Vila Verde e a Makro, no sentido de apresentar uma alimentação racional e equilibrada. O almoço foi confeccionado pelos alunos do curso de Restauração da EPATV.

No final do dia a EPATV ofereceu um saco com bolachas feitas pelos alunos e colocou à disposição os produtos oferecidos (iogurtes de várias qualidades, pequenos biscoitos e peças de fruta da época).

Na recta final, este Fórum contou com a intervenção do Professor Doutor Renato Henriques do Departamento de Ciências da Terra da Universidade do Minho.



quinta-feira, 6 de novembro de 2008

I Fórum de Estudantes sobre Saúde Escolar de Vila Verde - Saúde e Ambiente na Escola: Desafios para o Futuro!

Como alguns já devem saber, no dia 24 de Novembro deste ano, irá ser realizado, no Auditório da Escola Profissional Amar Terra Verde de Vila Verde, o I Fórum de Estudantes sobre Saúde Escolar de Vila Verde, cujo título é "Saúde e Ambiente na Escola: Desafios para o Futuro!"

O Fórum é dirigido a toda a comunidade escolar do Concelho de Vila Verde e será o continuar do projecto de comemoração, elaborado pela Unidade de Saúde Pública de Vila Verde, do Dia Mundial da Saúde de 2008, subordinado ao tema "A Protecção da Saúde dos Efeitos das Alterações Climáticas", e que teve o seu início com a abertura deste blog.

O programa deste Fórum é o seguinte:

9h00 – Sessão de Abertura
Director Geral da Escola Profissional Amar Terra Verde, Dr. João Luís Nogueira
Director do Centro de Saúde de Vila Verde, Dr. Rogério Pinto da Costa
Presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, Eng. José Manuel Fernandes


9h45 – Teatro de Sombras “A gota de água”, Turma do 9.º C da EB 2,3 Pico de Regalados


10h10 – Um contributo para a sustentabilidade, Turma do 12º A da Escola Secundária de Vila Verde


10h30 – PAUSA PARA LANCHE SAUDÁVEL


10h50 – Planeta da Água, Turma do 8.º A e 8.º D da EB 2,3 Prado


11h10 – Brigadas Verdes, Escola Profissional Amar Terra Verde


11h30 – O nosso contributo em defesa do Ambiente, Turma do 9.º B da EB 2,3 Vila Verde


12h30 – ALMOÇO


14h00 – Projecto Eco-Escolas, Escola Profissional Amar Terra Verde


14h30 – Reciclar está na moda, Turmas do 8.º A e 8.ª B da EB 2,3 Ribeira do Neiva


15h00 – Ambiente Saudável, Turma do 8.º ano da EB 2,3 Moure


15h30 – Escola Sustentável, Turma do 9ºC da EB 2,3 Pico de Regalados

16h00 – Sessão de Encerramento e entrega de lembranças aos participantes
Presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Ribeira do Neiva, Prof. Estevão Rodrigues da Silva
Presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Moure, Prof. Armando Machado
Presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Pico de Regalados, Prof. António Rodrigues
Presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Prado, Prof. José António Peixoto
Presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Vila Verde, Prof. António Augusto Amaro
Presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária de Vila Verde, Prof. Luís Monteiro
Autoridade de Saúde de Vila Verde, Dr. José Manuel Araújo

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Semana Europeia da Mobilidade - 16 a 22 de Setembro de 2008



De 16 a 22 de Setembro os cidadãos europeus terão a oportunidade de gozar uma semana inteira dedicada à mobilidade sustentável. O seu objectivo é facilitar um debate alargado sobre a necessidade de mudanças de comportamentos em relação à mobilidade, especificamente no que se refere à utilização do automóvel particular. Como já é hábito, o Dia sem Carros (22/09) será o culminar das actividades de toda a Semana.


O tema apresenta-se como uma oportunidade

...para os municípios:
Este é um tema que incentiva os municípios a reafectarem espaço viário ao tráfego não motorizado e que acentua a necessidade de melhorar a qualidade do ar a nível local, o que representa uma das grandes preocupações da União Europeia e dos seus Estados-membros.
Por outro lado, podem ensaiar novas soluções de transporte, a fim de avaliar da sua viabilidade e popularidade.

Oferece uma excelente oportunidade para se reflectir sobre a que fins se devem verdadeiramente destinar as ruas das nossas urbes.

...para os cidadãos:
Podem questionar-se sobre como vêem a sua cidade e o que pretendem para o seu futuro. Ruído? Congestionamentos? Má qualidade do ar? ...Deve o ordenamento das ruas/bairros residenciais potenciar o tráfego motorizado ou, antes, ter em mente a sua utilização como espaço social?


sexta-feira, 2 de maio de 2008

Implicações das alterações climáticas em Portugal e cenários

Em Portugal a emissão de gases com efeito de estufa, (dióxido de carbono, metano e óxidos de azoto), tem vindo a aumentar. Os transportes cresceram 100% e a energia 60%, sendo estas áreas as principais responsáveis pelo aumento das emissões de dióxido de carbono (CO2).

Este é o gás com emissões mais elevadas, seguido do metano e do óxido nitroso (N2O), constatando-se que nem sempre as florestas contribuem como sumidouro de dióxido de carbono (CO2), podendo tornar-se um emissor de GEE (gases com efeito de estufa).

Em Portugal os poluentes que mais contribuem para a degradação da qualidade do ar são o ozono troposférico e as partículas. Estes são os mais preocupantes em termos de Saúde Pública já que estimam-se em mais de 600.000 o número de asmáticos em Portugal.


No âmbito das ondas de calor, prevê-se um aumento progressivo destes fenómenos em Portugal, constituindo os muito jovens, os idosos e os doentes crónicos os principais grupos de risco, salienta-se que desde 2004 a DGS implementou o Plano de Contingência das Ondas de Calor, de modo a mitigar os efeitos das ondas de calor na saúde pública, envolvendo as Administrações Regionais de Saúde, a Autoridade Nacional de Protecção Civil, o Instituto de Meteorologia, o Instituto Nacional de Emergência Médica, o Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge e Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional, além dos valores da temperatura, do índice ÍCARO que associa a morbilidade e a taxa de mortalidade ao calor, entra-se também em linha de conta com o índice de radiações Ultra Violeta e com os níveis de Ozono.

A estratégia Europeia para o Desenvolvimento Sustentável, tem como objectivo limitar o aumento da temperatura média da superfície terrestre a 2ºC.

Prevê-se uma diminuição do escoamento dos rios na Primavera, Verão e Outono até 2050, 10% a Norte do Douro e 50% na região do Algarve, podendo em 2100 na região do Algarve alcançar os 80% de redução. Este fenómeno potenciará os fenómenos de poluição das linhas de água em virtude da sua capacidade de auto depuração ser menor, associado a uma menor concentração do oxigénio dissolvido, prevendo-se o aumento dos fenómenos de eutrofização, podendo contribuir para uma deterioração da qualidade da água.


Prevê-se uma maior tendência para o acréscimo de precipitação na época húmida, aumentando as chuvadas intensas e a probabilidade de cheias, com particular incidência na região Norte.

É expectável um aumento das temperaturas ao nível do subsolo, correspondendo a um aumento dos níveis de sais na água devido ao aumento das taxas de evapotranspiração, prevendo-se também o aumento da intrusão salina nos aquíferos costeiros devido à subida do nível médio do mar e à sobre exploração do recurso, devido ao aumento da pressão sobre os recursos hídricos.


Em termos de vectores de doenças existentes no país a Direcção-Geral da Saúde implementou a nível nacional o Programa REVIVE, em colaboração com as Administrações Regionais de Saúde IP e com o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, para fazer o levantamento dos vectores de doença existentes nas várias Regiões e avaliar os futuros riscos previsíveis face às alterações climáticas, estando neste momento a decorrer.

Em termos de vectores existem previsões para a região do vale do Sado. Observa-se a presença disseminada de Anopheles atroparvus, vector das espécies europeias de plasmódios.

Os cenários das alterações climáticas indicam ser provável que o clima da área se torne mais favorável à sobrevivência do anófeles e ao desenvolvimento dos plasmódios e assim estar favorecida potencialmente a transmissão da doença. Contudo, se não estiverem presentes vectores infectados o risco potencial de contrair malária deverá manter-se baixo. Mesmo com a introdução de uma população de mosquitos infectados não será de prever um risco elevado, uma vez que os seres humanos infectados seriam tratados, o que diminuiria a prevalência de parasitas, para além de que esta espécie de mosquitos tem uma baixa atracção pelos seres humanos, preferindo alimentar-se de animais.

Também existem condições no futuro para a ocorrência da Febre do Nilo Ocidental, cujo agente responsável é um flavivírus, podendo este ser transmitido pelo Anopheles atroparvus. No entanto não existem relatos recentes de vectores infectados e transmissão local aos seres humanos concluindo-se que o risco, actualmente, é pequeno.


Prevê-se também um aumento das doenças causadas pelos protozoários do género Leishmania, transmitidos ao homem após picada das fêmeas de flebótomos do género Phlebotomus perniciosus e Phlebotomus ariasi.


Prevê-se também o aumento das doenças transmitidas por ixodídeos (carraças), como a febre Escaro-Nodular e a Doença de Lyme.

Face ao exposto é previsível que as alterações climáticas potenciem os seguintes aspectos:
  • Aumento das doenças e mortalidade associada às Ondas de Calor;
  • Aumento da prevalência das Doenças respiratórias e cardiovasculares associadas aos fenómenos de poluição atmosférica;
  • Aumento do número de mortes, acidentados e perturbações metais associadas às inundações, tempestades, secas e fogos florestais;
  • Aumento de Doenças vinculadas pela água e os alimentos;
  • Alteração da incidência de doenças transmitidas por vectores:

Fonte: A Protecção da Saúde dos Efeitos das Alterações Climáticas, Paulo Diegues, Claudia Weigert, Vítor Martins, Direcção Geral da Saúde (http://www.dgs.pt/)

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Efeitos indirectos das alterações climáticas na saúde e no ambiente

Os principais efeitos indirectos das alterações climáticas prendem-se com a alteração da qualidade da água, diminuição da água potável disponível, subida do nível médio do mar, aumento das doenças de origem hídrica e da área alimentar, aumento dos fenómenos de poluição atmosférica, alteração da distribuição geográfica de vectores de agentes que podem provocar doenças, diminuição da produtividade agrícola e efeitos sócio-económicos.


Ao nível da água potável disponível para consumo humano, prevê-se uma diminuição das suas reservas motivada pelo aumento dos períodos de seca e da sua severidade. Por outro lado os fenómenos de poluição fazem-se sentir com maior equidade em virtude de o meio hídrico possuir menor capacidade de auto depuração e menor capacidade de oxigenação. As cheias contribuirão para o arrastamento de inertes e de pesticidas, hidrocarbonetos e outros poluentes para o meio hídrico e facilitarão as contaminações cruzadas entre as redes de esgotos as redes de água potável, em virtude de o índice de roturas aumentar e permitir uma maior contaminação.

Alguns eventos climáticos podem alterar a qualidade da água e por consequência levar à contaminação dos alimentos e provocar surtos de doenças de origem alimentar (frutas e vegetais podem ser contaminados por patogénicos presentes na água, como Cyclospora e Cryptosporidium spp).

As doenças de origem hídrica, como as doenças diarreicas, e a cólera, tenderão a aumentar, assim como as doenças de origem alimentar, (as salmoneloses aumentarão 5 a 10% por cada 1ºC de aumento da temperatura, desde que a temperatura ambiente seja pelo menos 5ºC). Foram registados mais casos de toxicoinfecções alimentares durante verões anormalmente quentes, quer no Reino Unido quer na Austrália. A falta de higiene e de controlo de temperatura, desde a produção até ao consumidor final, pode interagir com as alterações climáticas permitindo o crescimento de patogénicos.

Por outro lado, em países temperados, o clima mais ameno e os Invernos mais suaves aumentarão provavelmente a abundância de moscas e outras espécies de pragas durante os meses de Verão.

As alterações climáticas podem aumentar a exposição do homem a toxinas naturais. Temperaturas globais mais quentes podem aumentar a exposição humana a cianotoxinas quer através do abastecimento de água para consumo humano quer através das águas recreativas. Mares mais quentes poderão levar também ao aumento dos casos de intoxicação humana por bivalves. De modo semelhante a produção de micotoxinas, como as aflatoxinas, poderá aumentar, já que estas são produzidas por fungos que crescem em cereais armazenados, em condições de calor e humidade elevados.

Os surtos epidemiológicos associados a doenças de origem hídrica ocorrerão com maior frequência devido à Escherichia coli, Salmonella, Campylobacter, etc…, sendo os países pobres os mais susceptíveis a estes fenómenos, devido em parte à falta de infra estruturas de saneamento básico, ao défice no tratamento da água e no correcto encaminhamento e tratamento das águas residuais. As crianças serão o principal grupo de risco.

A subida do nível médio do mar entre 10 e 88 cm até ao ano 2100, afectará as zonas costeiras, aumentando o risco de cheias (1/3 da população Mundial vive em áreas até 60 km da linha de costa), assim como aumentará o risco de intrusão salina e aumentará a percentagem de água insalubre.

Os fenómenos de poluição atmosférica tendem a aumentar com a ocorrência das alterações climáticas. Por cada grau centígrado de aumento de temperatura devido à emissão de dióxido de carbono (CO2) corresponde a um aumento de 1000 mortes associadas aos fenómenos de poluição nos Estados Unidos.

O dióxido de carbono (CO2) emitido para a atmosfera contribui para o efeito de estufa e potencia a formação de vapor de água e de ozono (O3) na troposfera, principalmente nas zonas poluídas, com compostos orgânicos voláteis, aumentando a severidade da doença da asma, (o ozono sendo um oxidante forte poderá criar lesões nas vias respiratórias). Nos Estados Unidos 100000 mortes estão associados a fenómenos de poluição atmosférica e o aumento do ozono troposférico associado ao aumento do índice de partículas levará a um acréscimo de mais 20000 mortes ano. Os óxidos de azoto (NOx) são também um dos percursores do ozono que é sensível à temperatura, e é influenciado pelas alterações climáticas, contribuindo para um aumento da concentração de ozono (O3) na troposfera, em associação com os compostos orgânicos voláteis (VOC) e o aumento do índice de partículas PM10 e PM2,5, potenciam a ocorrência de doenças respiratórias (asma, bronquite e cancro pulmonar) e doenças cardiovasculares.

O dióxido de carbono (CO2) favorece a estabilidade associada à humidade e à presença de PM2,5 (partículas inferiores a 2,5μ), em virtude da temperatura do ar aumentar mais do que ao nível do solo, aumenta a estabilidade, diminui a turbulência, a velocidade do vento é menor e a dispersão é reduzida, potenciando os fenómenos de poluição atmosférica.

Na União Europeia 370000 pessoas morrem prematuramente devido aos fenómenos de poluição atmosférica, que principalmente agravam as doenças crónicas respiratórias e as cardiovasculares, aumentando a taxa de morbilidade e mortalidade.

Os poluentes atmosféricos que mais contribuem para a mortalidade são as partículas PM10 e PM2,5 e os níveis de ozono troposférico, os quais são potenciados pelos fenómenos de alteração climática, que influenciam a dispersão atmosférica e a diminuição da qualidade do ar.A poluição atmosférica está associada à diminuição da função pulmonar, potenciando as infecções respiratórias (asma, bronquites crónicas, etc.), sendo os principais grupos de risco as crianças, os idosos e os doentes crónicos. As alterações climáticas levam a alterações na quantidade, qualidade e distribuição do pólen, já que o dióxido de carbono (CO2) potencia a sua formação, o que levará a um aumento da ocorrência de fenómenos alérgicos.

Apesar da espessura da camada de ozono na estratosfera não estar directamente associada às alterações climáticas, tem tendência a diminuir, em virtude da emissão dos CFC (cloro flúor carbonetos) permitindo a passagem dos raios ultra violetas que são prejudicais à saúde, prevendo-se o aumento dos cancros de pele e o aumento de cataratas e de cegueiras.
Nos Estados Unidos consta-se que 39% das emissões de dióxido de carbono (CO2) estão associadas a residências e edifícios comerciais, contribuindo o sector dos transportes com 33% (60% é de veículos pessoais) e a indústria com 28%. Em Portugal 28% das emissões de dióxido de carbono (CO2) estão associadas ao sector de produção e transformação de energia e 23% ao sector dos transportes.

Os vectores de agentes que provocam doenças (insectos, roedores, mosquitos, etc.) reagem às alterações da temperatura, humidade relativa e precipitação, que podem alterar quer o seu ciclo de vida quer o ciclo de vida dos agentes patogénicos que transportam. O aumento dos períodos quentes em detrimento do Inverno pode levar a alterações do seu habitat e da sua distribuição geográfica.As doenças transmitidas por vectores têm tendência a aumentar, salientando-se as seguintes:

  • A malária (transmitida por mosquitos do género Anopheles infectados por parasitas do género Plasmodium), afecta entre 350 a 500 milhões de pessoas em todo o planeta e provoca mais de 1 milhão de mortes, principalmente crianças. O mosquito e o seu parasita são sensíveis à temperatura (o mosquito sobrevive entre os 10ºC e os 40ºC e o parasita mantém-se activo entre os 15ºC e os 35ºC);

  • O Dengue transmitido por um mosquito do género Aedes infectado pelo vírus do Dengue tem tendência a aumentar, prevendo-se que a população exposta ao Dengue e à Malária aumente até 25% no Continente Africano até 2100;

  • A febre-amarela, transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti infectado por um vírus do género Flavivírus tem causado uma taxa de mortalidade no mundo inteiro, principalmente Continente Africano, Ásia e América do Sul;

  • A febre do Nilo Ocidental, transmitido por mosquitos infectados (de espécies do género Anopheles, e do género Culex) por um flavivírus. As alterações climáticas podem vir a determinar taxas mais elevadas de prevalência desta doença.

  • As Leishmaniases têm tendência a aumentar. Os protozoários causadores desta patologia são transmitidos a partir de reservatórios animais aos seres humanos, pela picada das fêmeas de insectos do género Phlebotomus e Lutzomya, sendo os cães e as raposas os principais reservatórios;

  • A Doença de Lyme, transmitida por artrópodes do género Ixodes, apresenta uma maior incidência nos países do centro da Europa (Áustria e Eslovénia);

  • Algumas doenças tropicais como o Chikungunya transmitida principalmente por mosquitos do género Aedes, apareceram agora na Europa, em Itália.

  • Vários vectores de agentes que provocam a doença influenciam o risco de transmissão destas doenças, incluindo a actividade do vector adulto e o grau de infecciosidade do agente patogénico nos vectores e reservatórios.

As alterações climáticas têm um efeito positivo na diminuição da taxa de mortalidade devido ao frio (hipotermia).

Existem também efeitos psicológicos pós-traumáticos associados aos efeitos meteorológicos extremos, como a perda de bens associados a cheias, secas, incêndios, ou à perda de entes queridos.

Do ponto de vista económico o relatório Stern prevê grandes perdas, como a diminuição das colheitas agrícolas, ocupação de áreas pela subida do nível do mar, grande parte das zonas costeiras estariam em risco, apontando que o investimento actual de 1% do PIB mundial, representaria evitar a perda de 20% do PIB mundial nos próximos 50 anos, a expansão das áreas áridas devido à seca pode representar a perda de 26 biliões de dólares na perda de culturas.

Fonte: A Protecção da Saúde dos Efeitos das Alterações Climáticas, Paulo Diegues, Claudia Weigert, Vítor Martins, Direcção Geral da Saúde (http://www.dgs.pt/)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Intervenção da Ministra da Saúde, Ana Jorge, nas comemorações do Dia Mundial da Saúde- 07.04.2008.

Hoje é um dia para pensarmos em nós, portugueses, mas também para reflectirmos sobre aqueles que em todo o mundo ainda não têm acesso aos cuidados essenciais de saúde.

Portugal, país europeu, com um passado construído em diversas partes do mundo, tem uma importante responsabilidade na cooperação com os territórios da sua história. Cabe-nos um papel activo na investigação e na promoção de programas com vista ao controlo, tratamento e erradicação de vários problemas de saúde.


Só haverá liberdade no mundo e igualdade de oportunidades quando todos os cidadãos tiverem acesso aos cuidados de saúde essenciais.

A Saúde é um bem universal precioso, que deve ser melhor preservado e promovido. Dele depende em grande medida a materialização da democracia e da qualidade de vida dos cidadãos.
Mas este dia de celebração Mundial é também um momento para pensarmos no contributo e responsabilidades dos cidadãos e das famílias na melhoria da saúde individual e colectiva.

Este ano, dedicado ao impacto das alterações climáticas na saúde, é preciso alertar e mobilizar toda a sociedade.

Queremos viver com saúde mas o planeta está doente.

E se é verdade que o clima sempre variou devido a causas naturais, hoje não podemos ignorar as alterações climáticas e ambientais directamente resultantes da acção do Homem.

Associada a economias altamente industrializadas, a elevada emissão de gases continua a provocar o já tão conhecido efeito de estufa que muito tem contribuído para o aquecimento global. Um cenário que traz consigo profundos desequilíbrios do ecossistema.

E o ser humano não está, naturalmente, imune a este aquecimento do planeta e à degradação da qualidade ambiental.

Daí o claro aumento das doenças respiratórias, alérgicas, cardiovasculares e doença oncológica que, consequentemente, vão atingir as populações mais vulneráveis, como as crianças e os idosos.

Por isso, são fundamentais os programas de saúde pública que visam minimizar o impacto destas alterações, como as ondas de calor que tanto se reflectem na saúde das pessoas.

É urgente travar este desequilíbrio ambiental. E está nas mãos de cada um de nós impedir que o meio que nos acolhe se transforme, ainda mais, numa agressão para a saúde.

Cabe também aos serviços de saúde intervir na sensibilização, educação e formação dos profissionais, bem como da população em geral.
Ou seja, chamar todos a intervir na promoção da saúde ambiental.

Termino com este desafio: cidadãos, famílias, sociedade civil, chegou a altura de sermos activamente responsáveis pela nossa saúde e pelo ambiente.
A Ministra da Saúde
Ana Jorge

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Vídeo da Direcção Geral da Saúde sobre os efeitos das alterações climáticas na saúde, 2.ª parte

Vídeo da Direcção Geral da Saúde sobre os efeitos das alterações climáticas na saúde, 1.ª parte.